'Crime frio e brutal', diz irmã de caminhoneiro espancado até a morte após ser levado em porta-malas de carro em MG
Polícia Civil investiga homicídio, mas ainda sem uma motivação comprovada. Família de Sebastião Ladeira, de 37 anos, fala em crime premeditado. Cinco pess...

Polícia Civil investiga homicídio, mas ainda sem uma motivação comprovada. Família de Sebastião Ladeira, de 37 anos, fala em crime premeditado. Cinco pessoas já foram presas em Juiz de Fora. Mãe de Sebastião Felipe e as irmãs Luiza Sudré/g1 “Enfiaram o meu irmão na mala de um carro como se fosse um bicho. Ele não teve direito à defesa. Foi um crime frio e brutal”, contou abalada ao g1 Marlene Ribeiro, irmã de Sebastião Felipe Ladeira, de 37 anos, que morreu após ser espancado em uma briga em Juiz de Fora na madrugada do último domingo (23). 🔔 Receba no WhatsApp notícias da Zona da Mata e região ATUALIZAÇÃO: Caminhoneiro espancado até a morte após briga em MG não foi colocado em porta-malas de carro, afirma delegada A família viajava para Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, quando soube da morte de Sebastião Felipe e voltou em choque para Juiz de Fora sem saber como agir. "Recebemos a informação de que haviam matado meu irmão. Não sabíamos se íamos para o enterro ou para a delegacia, porque já queriam soltar os homens que fizeram isso com ele", contou Marlene. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Homem é colocado em porta-malas após briga e espancado na rua até a morte em MG Caminhoneiro espancado até a morte: delegada já tem vídeos da boate onde briga começou e pede mais imagens de testemunhas Quem era Sebastião Felipe Ladeira, espancado até a morte após ser levado em porta-malas de carro em MG Crime premeditado, aponta família A família de Sebastião Felipe, que inicialmente acreditava que a morte dele havia sido consequência de uma briga de bar, agora aponta que o crime pode ter sido premeditado e envolver outras pessoas. "Nós temos a informação que essa briga teria sido planejada para pegarem meu filho lá fora. O carro, no qual colocaram ele no porta-malas, já estava parado esperando por ele", afirmou a mãe, Ana Maria Ribeiro. A versão foi confirmada por um amigo da vítima, que estava com Sebastião Felipe no momento da confusão. Segundo ele, que pediu para não ser identificado na reportagem, a briga começou dentro da casa noturna. "A confusão foi na rampa e, quando cheguei à varanda, a pancadaria já tinha começado. Todo mundo foi para cima do meu amigo: os seguranças e o dono da boate. Ele saiu correndo pela rua, e eles começaram a persegui-lo. Enquanto isso, nos trancaram dentro da casa e não conseguimos sair para ajudar", relatou. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (24), a delegada do caso, Camila Miller, titular da Delegacia Especializada em Homicídios, explicou que várias motivações e informações têm chegado, mas que neste momento não há nada confirmado. Quem era Sebastião Felipe? Sebastião Felipe Ladeira, foto de arquivo Arquivo Pessoal Ana Maria Ribeiro, mãe de Sebastião Felipe, descreveu o filho como um homem trabalhador, querido e pai dedicado de três filhos. "Eu enterrei meu menino de ouro. Todo mundo gostava dele, ele era cheio de amigos e muito tranquilo", disse. Caminhoneiro, Sebastião Felipe era um dos cinco filhos de Ana Maria e morava com ela em Juiz de Fora. “Tinha o próprio caminhão e sempre foi um menino muito trabalhador”, complementou. "Meu filho tinha muitos amigos, todos gostavam dele. Ele adorava sair nos finais de semana para se divertir e descansar. Era um rapaz que curtia a vida, mas sempre de maneira tranquila". O corpo foi sepultado no domingo em Guarani, cidade de origem da família. Cinco pessoas foram presas Homem é colocado em porta-malas após briga e espancado na rua até a morte em Juiz de Fora Cinco pessoas, com idades de 26, 29 (duas), 31 e 43 anos, foram presas em flagrante, suspeitas de terem cometido o homicídio, e tiveram a prisão convertida para preventiva. Entre elas pessoas ligadas diretamente à boate. Outros envolvidos na briga foram identificados e devem prestar depoimento nos próximos dias. Em nota, o escritório Coimbra, Ferolla & Viana Advogados, que representa Victor Oliveira Assis Madeira, João Pedro Lopes da Silva Souto, João Carlos de Oliveira e Rafael Jefferson de Souza Venâncio, quatro dos cinco suspeitos, disse que lamenta os acontecimentos e que os clientes não participaram das agressões ou do suposto atropelamento que terminou na morte da vítima. Veja no fim da matéria o pronunciamento na íntegra. Já o advogado de Ricardo Venturini Matosinhos Matos, outro preso na ocorrência, afirmou que só irá se manifestar dentro do processo. “Acreditamos e confiamos na imparcialidade da justiça brasileira”, complementou Eloi Hildebrando. Conforme Camila Miller, será apurado quem omitiu socorro e quem participou diretamente do espancamento. “Não vou diminuir a responsabilidade de ninguém que estava lá, porque todo mundo estava lá na hora em que o rapaz foi agredido e morto. O que a gente vai fazer é individualizar a conduta de cada um”, disse. O Madeira's Lounge, estabelecimento onde estavam todos os envolvidos antes do espancamento, se manifestou sobre o ocorrido e informou que está colaborando com as investigações. "O Madeira’s Lounge vem a público manifestar seu mais profundo pesar e indignação pelos atos de violência ocorridos na madrugada de ontem (22/03/2025). Prezamos pela segurança e pelo bem-estar de nossos clientes e colaboradores, e temos protocolos rigorosos para evitar qualquer tipo de conflito dentro de nossas dependências. Diante de uma briga iniciada no interior da casa, nossa equipe de segurança agiu prontamente para conter a situação e retirar os envolvidos, seguindo todos os procedimentos adequados. Infelizmente, após a saída do estabelecimento, um episódio de violência ocorreu na via pública, resultando em uma tragédia que nos choca e entristece profundamente. Reforçamos que não compactuamos com qualquer ato de violência e que estamos colaborando com as autoridades para a elucidação dos fatos. A segurança e integridade de todos sempre foram e continuarão sendo nossas prioridades. Nos solidarizamos com a família e amigos da vítima neste momento difícil. A casa não irá funcionar no dia de hoje (23/03)”. Crime foi gravado por testemunhas em Juiz de Fora Redes Sociais/Reprodução O que diz a defesa dos suspeitos? "O escritório de advocacia responsável pela defesa de Victor Oliveira Assis Madeira, João Pedro Lopes da Silva Souto, João Carlos de Oliveira e Rafael Jefferson de Souza Venâncio, de início, manifesta sua profunda solidariedade aos familiares e amigos de Sebastião Felipe Ribeiro Ladeira, lamentando profundamente os acontecimentos da madrugada do último domingo. Repudiamos veementemente as graves agressões sofridas pela vítima, bem como qualquer ato de violência! No entanto, é importante esclarecer que nossos assistidos não participaram das agressões ou do suposto atropelamento que culminou na morte de Sebastião Felipe. Importante destacar também que desde o início das investigações, nossos assistidos colaboraram integralmente com as autoridades, fornecendo informações essenciais sobre os reais responsáveis pelos fatos e auxiliando na localização de um dos veículos envolvidos. Além disso, permaneceram no local dos acontecimentos, sem qualquer tentativa de evasão ou obstrução da Justiça. A defesa confia que, com o avanço da apuração, restará demonstrado que os nossos clientes não possuem qualquer responsabilidade penal pelos trágicos fatos ocorridos. Reiteramos nosso compromisso com a verdade e com o devido processo legal, ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com todos os afetados por essa lamentável ocorrência e nos colocamos à disposição das Autoridades". 📲 Siga o g1 Zona da Mata: Instagram, X e Facebook VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes m